terça-feira, 22 de dezembro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"Foi um Soco Grande!"

Seis horas, quarenta e dois minutos e trinta e poucos segundos. Não dava mais pra aguentar aquele cubículo. Todos no escritório já haviam saído e a cada minuto eu olhava praquele relógio na parede do lado. Seis horas, quarenta e dois minutos e quarenta segundos... O sol alaranjado do fim de tarde entrava pela janela e me lembrava daquelas lampadas japonesas ou chinesas (eu nunca consegui distinguir direito a origem dessas coisas) feitas em papel, ouvia o cooler do computador assobiando feito doido naquele silêncio do oitavo andar, mesclado com o som da enceradeira sendo usada no corredor. Seis horas, quarenta e dois minutos, quarenta e tres minutos... Não chegava o e-mail de última hora que a gerente de vendas me pediu pra aguardar, então me levantei, espreguiçei-me um pouco para acabar com a dormência que dominava a perna esquerda e fui até a Zizi. (Zizi é o apelido que o pessoal carinhosamente concedeu à máquina de café expresso Zimbabwe Coffe, que fica no andar de baixo). Enquanto eu caminhava de volta à minha mesa com um capuccino aguado e amargo na mão me ocorreu o pensamento de que tipo de teste de qualidade poderia vir de um nada famoso cafezal no Zimbabwe, de certo não sei ainda a vantagem de se informar esta origem tão "tradicional". Passei pelo trecho a ser encerado e derrubei algumas gotas do capuccino no piso, coisa que tranformou o semblante cansado da moça da limpeza em uma carranca. Nem ousei pedir desculpas, saí rapidinho dalí tentando evitar que pudesse deixar cair o copo todo... acho que aquela senhora me enforcaria no fio da enceradeira... Antes de me aproximar do pc já percebi que o e-mail estava lá pronto a ser aberto e eu não hesitei, já era tempo. Recusei-me a sentar de novo e já estava até retirando o paletó cinza do encosto da cadeira quando percebi a importância do que estava escrito ali: 'Sr. Ricardo: Os arquivos em anexo devem ser encaminhados para Dona Consuela tão logo alterados os valores de descontos até as 22:00 hs. Caso não realizado no prazo estipulado, a premiação de co-participação estará suspensa até segunda ordem. A Diretoria.' Eu sabia que aquela era a oportunidade da qual havia esperado por meses a fio, de mostrar minhas capacidades e conseguir mais estabilidade. Garantiria ao menos a astronômica conta de telefone. Mas tudo que passava na minha cabeça era como as coisas tomavam proporções gigantescas conforme o tempo avançava. Tempo. A responsabilidade com prazos, os anos que a vida em um escritório conseguiam dar cabo, daquelas férias ano retrasado, das comemorações quando um amigo terminava uma faculdade. Tempo, tudo era sobre tempo. Eu sabia tudo sobre vendas e cálculos mas sabia mais sobre Importância e Tempo. Fechei o outlook e as planilhas, desliguei o computador e vesti o paletó. Esta hora já não havia mais trânsito intenso nas ruas então não temi nenhum atraso embora não me deti em nenhuma outra atividade. Olhei o relogio, sabia que ia dar tempo. Seis horas, cinquenta e um minutos. *** O silencio no saguão do prédio semi vazio parecia ampliar o barulhinho das moedas no meu bolso enquanto andava em direção à rua, e corri a mão para atender meu celular no primeiro toque para evitar que incomodasse alguém ali. Era Lila na linha, estava preocupada por eu não estar ainda no local combinado, mas seu tom era amistoso e me disse que esperaria um pouco mais sem problemas. Segui em direção ao metrô, tinham poucas pessoas nas plataformas, tinha um cãozinho bonitinho dormindo num canto, estava bem frio e a ponta dos dedos dos meus pés estavam congelando. Enquanto estava no vagão, uma das telas informava das mudanças nas linhas e estações, ressaltando sempre o beneficio que traziam a todos. Abriam caminhos, encurtavam distâncias, ampliavam seu tempo. Quase não percebi que já havia chego na minha estação, saí de lá e já dava pra ver a entrada do pub onde Lila me esperava. Esse pub já assistiu mais de uma vez minha embriaguês e eu o tenho como um local sagrado. E ela parecia que sabia, não queria me esperar la dentro... Ela estava parada do lado de fora, com uma longa capa de chuva vermelha, botas à combinar que custavam o olho da cara (eu sei pois foi eu que as comprei no natal de 97) e estava linda. Ela sempre foi meio doidona e espalhafatosa mas parecia até contida e serena. Não preciso nem dizer que abri um sorriso quando a vi, quando ela fez uma piadinha sobre minha pontualidade ou quando ela me abraçou. Tinha uma coisa meio engraçada sabe, estava parecendo mais velha, eu nunca havia reparado que ela adquirira pés de galinha durante esses anos, mesmo assim não perdia o jeito de menina. Abri a porta e esperei ela entrar, dava pra sentir o bafo quente lá de dentro do bar junto com os sons bem conhecidos pelos frequentadores da vida etilica. Tinha um leve cheiro de cigarro de cravo no ar e antes que eu comentasse com Lila sobre isso fui puxado por ela pela mão até os fundos onde lá estavam alguns velhos amigos nossos se debatendo pra chamar nossa atenção. Numa mesa redonda e pequena de madeira estavam canecões de chopp, uma porção já pela metade de batatas fritas e diversos maços de cigarros e celulares dispostos aleatoriamente. A falação e cumprimentos foram mais acolhedores do que eu me lembrava, nem deu tempo de dizer que eu não estava com fome e Ed, um dos meus amigos já estava levando uma batata frita feito aviãozinho na minha boca como brincadeira. Eu não podia sequer reclamar, eles estava acostumados com minhas brincadeiras que confesso, não eram todas tão suaves como uma batatinha de aviãozinho. Não sentei, nem pedi um copo. Eu nem mesmo me centrei em uma conversa, pois haviam 3 ou 4 conversas paralelas se cruzando naquela mesa num misto de show de piadas com assuntos profissionais. Eu olhava ao longe, via as pessoas andando por aquele pub quase lotado procurando um rosto familiar, procurando alguém que estava faltando ali. Ele estava voltando do banheiro, vestindo uma boina italiana, todo sorrisos e já veio logo puxando pra um abraço. tapas nas costas e todas aquelas coisas, você sabe. Passava na cabeça as coisas idiotas e momentos mais sóbrios que eu havia vivido com aquele amigo meu, quando estudávamos juntos ou quando ele vinha com as histórias cabulosas dele... Um jeito marrento, às vezes até meio ingênuo, quando começava... lembro de uma história dessas, quer dizer, lembro mais ou menos. Não sei se era uma piada ou algo que ele ouvira por aí e saíra contando a torto e a direito mas era hilário. Acho que era sobre um personagem cômico ta Tv, o cara arrumava uma confusão como sempre e nesta ocasião teria "armado um soco grande" contra sei lá quem... ah, todo mundo ria, talvez fosse menos engraçado na própria Tv do que ele contando... e o tempo passou tão rápido que nem percebi que logo estavam se despedindo e trocando os tapinhas de novo. Eu sabia, desta vez era diferente, era de fato importante. O Tempo come cada segundo de diversão e prazer que você tem na vida e troca por um punhado de lembranças enevoadas, deixando a sensação de perda e incapacidade de mudar as coisas. Era óbvio, aquele momento era único e diferente, nauqela vez aquele amigo iria pra bem longe, buscar a vida longe dalí. não tive o tempo nem o jeito certo de dizer tudo o que deveria ser dito e talvez até tenha sido dito o suficiente. Qualquer coisa a mais era desnecessária, no aperto de mão ele sabia e eu também, amizade não finda com distância. Ele saiu, os outros sairam, Lila pegou carona com uma das meninas mas eu morava a três quadras dali, estava em casa. Coloquei o paletó sobre o recosto da cadeira, comi uma das batatinhas murchas sobre o prato, e olhei em volta. Não tinha relógio no bar. Estiquei o braço uma vez só em direção ao garçom gordinho que logo me trouxe um copo e uma garrafa de cerveja. Estava no ponto certo, já não era sem tempo. ---------------------------------------------------------------------------------------------- Esta é uma obra feita em homenagem a um amigo que foi morar longe, mas também sobre como o tempo me incomoda. Às vezes, tudo o que precisamos é esquecer do tempo passando e aproveitar as coisas pequenas... ah, acho que vocês entenderam rs...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ciência Encontra a Magia

http://video.google.com/videoplay?docid=6285430996722410689&ei=KHGpSsIGnNyqAtuYqagD&q=rupert+sheldrake#docid=2769779850168739190 A civilização atual está sob o domínio da magia negra.

domingo, 12 de julho de 2009

Prisão

O que é Liberdade? O que é Realidade? Nascemos para fazer o que quisermos mas será que sabemos o que queremos?

sábado, 4 de julho de 2009

Balde

O balde é tudo. O balde está cheio. É difícil carregar.

domingo, 28 de junho de 2009

Homenagem...luto.

Não poderia deixar de dizer isso. Pelo menos expressar algum tipo de sentimento sendo que tantas lembranças me passam na cabeça relacionado a uma pessoa tão importante na vida de tantas pessoas. Nasci no ano de 83 e não pude acompanhar mais de perto sua carreira. Mas enquanto estava crescendo acompanhei sua tragetória de sucesso, criatividade e talento. Talento inquestionável de uma pessoa que, até o fim de sua vida, foi precoce. Não tenho muitos ídolos na vida. Tenho minhas influências, lógico. Sou vocalista de uma banda de heavy metal e se vc me pergunta quais são os vocalistas que mais gosto tenho na ponta da língua. Um dos meus ídolos é vocalista mas não o considero um ídolo por causa da sua voz. E sim por causa da sua dança, sua criatividade, sua presença...seu talento. Michael Joseph Jackson foi único e podem escrever o que digo. Nós vamos morrer, nossos filhos vão morrer e não vai aparecer alguém como ele. Não o conheço pessoalmente portanto não me julguem por minhas opiniões sobre uma pessoa com tantas polêmicas na sua vida. Estou expressando meus sentimentos sobre uma pessoa que foi importantíssima para o mundo da música, meio em que vivo. Ele quebrou diversas barreiras, quebrou recordes e se manterá aí por muito tempo ainda. Dizem que Elvis não morreu. Essa expressão já virou bordão em muitos lugares. A moda agora é dizer que Michael Jackson não morreu. A geração atual com certeza, em algum momento dançou ou tentou fazer algum passo de alguma dança sua. Mesmo não sabendo a letra, tentou cantar alguma música sua. Mesmo fazendo com a voz aquelas batidas tão marcantes de seus sons. Sou um felizardo por ter tido o prazer de jogar "Michael Jackson's Moonwalker" do Super Nintendo e também tinha para Mega Drive. Aquela cena dele jogando a moeda no Jukebox e batendo em todos os inimigos já é clássica, assim como tudo que ele fez. Sim, chorei sim pela morte do meu ídolo. Assim como chorei por pensar em como o Mundo pode perder alguém como Freddie Mercury. Outro de talento incrível.
São poucas as palavras para expressar a profunda tristeza de milhares de fãs de sua música e sua carreira.
E o luto continua.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Shaolin Monk

Feito por encomenda não remunerada no photoshop cs4.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Aviso

Atenção! Campari não é bebida alcoólica é corante de roupas. dã!

terça-feira, 16 de junho de 2009

The Wall

Humpty Dumpty deixa o muro...

domingo, 14 de junho de 2009

Viver junto, morrer sozinho

A vida de um homem deve ser justa
Suas razões para viver devem ser reais
Se as oportunidades desaparecem
Então, sua vida acabou
Porque no seu coração e na sua alma
Todos o abandonam
E vive para seu destino
De um homem sem vida
De um homem insano
"Sei que vou morrer
Hoje, à noite, sempre será tarde
E vc não sabe a verdade
Estou correndo contra minha vida negada
Eu poderia morrer livremente?
Eu poderia chorar com alguém?
E se nós não vivermos juntos
Todos morreremos sozinhos"

sexta-feira, 12 de junho de 2009

O dia em que os filmes americanos me decepcionaram

Estava vendo escorpião rei na tv, e um erro do roteiro me fez pensar o seguinte. Porque o escritor era tão ruim a ponto de fazer dos inimigos seres tão desalmados? Então eu lembrei que tudo que sai dos Estados Unidos é assim e não porque os escritores são ruins, mas porque eles acreditam que existe um inimigo sem alma que quer nos matar ou que eles querem nos condicionam a pensar que existe um inimigo sem alma que quer nos matar. Isso não é evidente apenas nos filmes mas até em desenhos infantis. Sempre existe o "Inimigo". Esse condicionamento age em nossas vidas mais do que imaginamos, faz com que as pessoas que não seguem o que acreditamos sejam vistas como uma ameaça, algo errado que não deva existir, ou seja, uma geração criada para ser fascista. Espero o dia que exista uma evolução real na consciência em que se apague a ilusão da existência de um inimigo, pois quando isso acontecer notaremos que quando fazemos mal a alguém estamos fazendo mal a nós mesmos.

Acid

Acid trip.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Pesadelo

O maior inimigo do Homem é ele mesmo.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Sol

Quando somos crianças quem nos acolhe, nos alimenta, nos mostra o que é "certo" e "errado" são nossos pais. Os pais são deus na visão da criança. Sem os pais a criança não tem relação com o mundo e tudo vira caos. O homem cresce e acha difícil deixar a imagem dos pais e criaram deus. Ser senhor de si mesmo é uma responsabilidade tão grande que chega a ser absurda. Deus é a manifestação da falta de Fé do homem nele mesmo.

terça-feira, 2 de junho de 2009

"DEVOLTA AO OUTONO"

Cansado da longa vida Já sem sua mocidade Se perde o pensar por uma janela Sente a brisa soprando saudades

Ah, quantas lembranças Das tardes, do vento gelado Daquela paixão de infância Em um feliz irregressível passado

Vem um aperto no peito Sente o inverno mais perto Com um suspiro profundo Já sabe deu destino perpétuo

Amigos se foram há tempos Relembra como uma antiga canção Cantada em uma casa de pedra Que agora zela sua solidão

Esta noite o homem dorme sorrindo Em sonhos serenos caminha Doutro lado todos já o esperam Deste aqui tudo já se definha

De quantos outonos perdeu a conta Das festas, dos beijos roubados Nas marcas no rosto se aponta Um sorriso vagaroso, que jaz parado

Descansa pensando agora Onde um coração há gravado No tronco de um salgueiro Com o nome de um amor selado

domingo, 31 de maio de 2009

"FOME DE QUÊ?"

Faz vinte anos que, numa cidadezinha interiorana a uns 90 km daqui, quando eu ainda era um infante e meu pai e meus tios me levavam para pescar, aconteceu o inverno mais inesquecível da minha vida. Mesmo hoje, 1940, eu não consegui tirar da cabeça o dia no bosque próximo àquele lago que costumávamos pescar.

Na noite anterior a todas as pescarias, tinha que dormir cedo com a promessa de me comportar lá, pois ninguém gostava de crianças em pescarias por serem barulhentas e sempre afastarem os peixes. Contrariando minha mãe, que não gostava nada quando me levavam pra lá. É que eu tinha estomago fraco e voltava sempre “botando as tripas pra fora”, mesmo assim eu batia o pé para deixar que eu fosse. Então dada às sete da noite não tinha escolha: cama!

Noutro dia, cinco da matina e mesmo pregado de sono eu estava lá de pé ansioso pra participar daquela reunião dos homens da família. Algumas vezes o meu sono era tamanho que me deixavam pra trás. Era inverno, acho que Julho, e meu pai ali de pé na cozinha já estava a fazer seu café. Eu esperava quieto, tomava um copo de leite morno com achocolatado, apesar de eu sempre vomitar em viagens quando bebia muito leite. Uma buzinada lá fora era o sinal que meus tios haviam chego e como sempre, estavam com pressa. Tudo pronto, eu bem agasalhado, saímos com nossa sacola cheia de anzóis e linhas de pesca, potes de maionese vazios e pazinhas que seriam usadas para pegar minhocas quando chegássemos. Lembro que eram viagens demoradas dentro do fusca azul do meu tio, mesmo que meu primo fosse conosco e que no caso sempre era uma distração, um entretenimento mais adequado já que tínhamos a mesma idade, ainda assim eram viagens cansativas na qual dormíamos uma parte do trajeto.

Quando estavam de bom humor me deixavam levar meu cão, que por onde eu estava o levava. Seu nome era Cachorro, lembro bem da coleirinha que fiz com seu nome. Eu sei, era um nome bem idiota, mas eu era um garoto e nem sei explicar os motivos dessa escolha além do óbvio. Ele era um vira-lata e geralmente eu ficava mais calmo quando estava na companhia do meu amigo preto e branco.

Nesta ocasião, iam dois tios meus, meu pai, meu cão e eu. Choveu a noite inteira e a viagem pareceu então mais longa ainda. Durante o trajeto lembrei-me de mamãe, que não estava mais conosco e meu pai dizia ter viajado pra longe. Ao invés de irmos direto para o lago, chegando à cidade pegamos uma estradinha de terra cercada de goiabeiras e entramos num pequeno rancho. Quiseram parar pra pegar uns frutos e tão logo a porta abriu, Cachorro saltou e correu pelo grande gramado ao lado. Era quase oito da manhã, e como já disse, choveu durante a noite. Agora restava só uma garoínha. Eu estava ouvindo a barriga roncar então aceitei um dos frutos que meu tio me ofereceu. Sua casca verdinha até brilhava, lustrosa. Tinha cheiro de coisas do mato assim como todo o lugar. Mordi a pequena goiaba e um gosto de fruta estragada encheu minha boca. Foi muito desagradável nem precisa dizer né. Pior que ainda riram de mim pela careta que fiz ao cuspir aquele teco nojento de goiaba longe. Decidi correr atrás do meu cão e deixá-los com suas risadinhas. Era um gramado plano e mesmo à distância podia ver onde estava o fusca e também mais à frente onde estava a casa do Sr. Firmino e sua esposa Dona Célia. Cachorro corria brincando com um graveto e quanto mais eu me aproximava dele mais ele corria de mim em direção da casa velha. Conforme meu cão se aproximava de lá eu diminuía meu ritmo até que parei quando ele deu a volta por trás da casa, na direção do bosque logo adiante, e o perdi de vista. Eu não gostava daquela casa, era iluminada apenas por lampiões a gás que criavam sombras pelos cantos, tinham quadros estranhos de crianças chorando e alguns cômodos estavam sempre trancados e por mais que apenas os padrinhos de meu pai morassem ali, certa noite que pousamos lá, mamãe ouviu diversos ruídos de móveis sendo arrastados dentro daqueles quartos, e foi a única e última vez que ela viria conosco. Lembro que ela odiava tudo no local.

Voltei correndo pro carro, percebi que eles não estavam lá. Tranquei-me no fusca e fechei os vidros. Senti-me sozinho, queria chamar por eles, porém fiquei quieto e em uns minutos eles apareceram de novo. Disseram que tinham visto um tatu e que tentaram pegá-lo. Falei que Cachorro tinha se perdido, mas mal me deram ouvidos. Eu estava preocupado, pois era um bosque bem fechado e escuro, os raios de sol mal passavam pelas folhagens das copas das árvores de lá e Cachorro devia de estar assustado. Logo ele voltaria, disseram. Eu não estava tão certo disso.

Limpamos os pés sujos de barro em um ferro posto perto à porta especificamente pra isso e entramos. Os homens deixaram seus casacos nos ganchinhos que tinham atrás da porta e trataram de chamar o Sr. Firmino, que aparentemente não estava por ali. Havia muito pó sobre aqueles móveis coloniais pretos, e um monte de panelas antigas penduradas numa espécie de varal na cozinha. Ah, não havia fogão como aqueles que tínhamos em casa, era algo feito de tijolinhos e barro batido, com um buraco enegrecido com lenha e carvão dentro. Uma coisa bem curiosa e contrastante com o lugar era o gramofone encostado ao lado de uma poltrona antiga na sala. Tinha até uma manivela no artefato e tinha um disco pequeno de vinil tocando. Era uma ópera, tocava tão baixinho que suspeito que ninguém a não ser eu a notou. Decidiram ir logo para o lago e voltarmos a tempo do almoço. Eu não queria ir sem meu cão e não queria ficar ali também, mas não havia escolha e fui com eles.

As memórias de uma criança nem sempre são muito nítidas e às vezes me questiono se era imaginação demasiada minha quando saindo de lá avistei o Sr. Firmino totalmente enlameado da cintura pra baixo e com um machado numa das mãos. Fiquei assustadíssimo, a visão me deixou mudo e assim eu fiquei enquanto o fusca se afastava.

Eles até estranharam que durante a pesca eu tenha ficado tão comportado, mas não era dia pra peixe e a pesca rendeu poucas tilápias. Ajudei a pegar minhocas, a tirar os peixes dos anzóis, e nada me despreocupava. Acompanhei o silêncio daqueles homens por frias horas, pus minhas mãos nos bolsos do casaco vermelho que vestia e sentei cabisbaixo até que decidiram que era bom me levar pra comer. Enquanto voltávamos, me distraí desenhando cachorros nos vidros embaçados do carro, um dos meus tios sorriu pra mim e falou que tudo ficaria bem depois de uma boa refeição. E de fato, seria impossível esquecer o gosto das canjas que Dona Célia preparava, era uma cozinheira de mão cheia. Enchia de cheiros a cozinha toda e não foi diferente desta vez. Tão logo entramos os aromas preencheram o ambiente e até eu me animei um pouco mais. A velha senhora estava lá mexendo no panelão alguma iguaria sem par e sem muitas cordialidades seguiu dizendo que era melhor comermos antes que esfriasse. Mamãe teria brigado comigo por sentar à mesa sem ter lavado as mãos, mas nenhum dos mais velhos me exigiu coisa sequer. Sentavam-se todos falando ao mesmo tempo e as risadas altas me relaxaram e logo até eu estava sorrindo com os gracejos do Sr. Firmino.

Na mesa, tinham além dos pratos de alumínio esmaltado, canecas com o que parecia suco de limão e também amoras numa tigelinha. Tudo era bom. Como das outras vezes que tinha ido pra lá, todos comemos muito enquanto conversávamos e brincávamos. O cozido desmanchava na boca, macio e suculento. Eu já havia comido até empanturrar quando notei dentro da panela de cozido algo reluzindo, que retirei com uma colher de pau e coloquei no meu prato já vazio. Era como uma moeda de prata... Era a medalhinha onde estava escrito o nome do meu cão. Num pulo saí da mesa subitamente, enquanto todos paravam e me olhavam, eu apavorado com uma voz que lutava pra sair, perguntei:“—Onde está minha mãe?!”

Consciência

A consciência acaba sendo o maior mistério entre tudo que existe. a concepção de certo e errado. o que faz uma pessoa ter a convicção que comer carne é algo ruim e outra que não vê problema nenhum em trabalhar num matadouro?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"CARNE E UNHA"

Me olha

Me encontra

Me carrega

Não me deixa!

Por que me julga tanto se já deitou comigo?

Lembra que te visitei nas noites que acordou em suor

E não ouvi de você nenhuma palavra de carinho

Antes dancei com você à luz da lua

Agora me entrego pelo seu flerte na rua

Seus sorrisos foi eu que dei

Então não corre!

Por que me despreza depois que passamos a juventude juntos?

Ofereci prazer carnal e desenhei pra você sonhos de lascívia

Ofereci o gosto do vinho, do prato refinado, de pele salgada e lábios tão tenros

Sei que provoco você, sei que te faço os olhos brilharem

Sou tudo o que você quer e ainda sim trata-me com desdém

Nada te diverte sem mim, eu sei

Então não foge!

Me vesti pra você

Lembra que te arranquei suspiros

Me despi pra você

E falou mal de mim mais de uma vez

E sentiu agua na boca mais uma vez

Tudo fica sem graça sem mim, eu sei

Então me agarra!

Me renega mas não tem jeito

Somos carne e unha

Você e eu estamos presos

Estou em você, te vejo ao meu lado

Me chamo Desejo mas me chama Pecado.

Olha pra mim

Me reencontra

Me carrega onde for

Não me deixa por favor!

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Anjo

Na busca de entender o mundo a nossa volta a humanidade criou várias imagens e mitos para explicar o que acontecia no mundo. então o que é mais real, algo que alguém criou a séculos atrás ou o que você mesmo criou na sua mente?

domingo, 24 de maio de 2009

Playstation 3 - INFAMOUS

Esse jogo é exclusivo para Playstation 3 e conta uma história de um cara que acorda no meio de um caos, onde as pessoas nao sabem o que aconteceu de verdade para a cidade estar toda destruída. O diferente desse jogo é que o cara acorda com poderes elétricos em seu corpo e de acordo com o desenrolar da maneira que vc o controlar, ele pode ser bom ou ruim. Suas ações é que determinarão a personalidade do protagonista. O game está previsto para sair em Junho próximo. Baixei uma demo na Playstation Store e a primeira impressão do jogo é muito boa. A sensação de liberdade e grande. Podemos subir em carros, prédios, bater em quem quiser, sugar a energia vital de qualquer um. Abaixo segue um link do youtube para acompanhar algumas cenas desse jogo que promete muito.